1 Ano "À Luz da Fogueira"
Update 1: Para saber quem é a grande responsável pela longa ausência de posts ver aqui. (2006-12-20)
Escuridão. A hora das bruxas está próxima e por entre farrapos de nuvens espreita um raio de luar prateado. Frio. Uma brisa suave embala as folhas das árvores, envolvendo a floresta num coro primordial de sons nocturnos. Solidão. Por entre as árvores desliza uma sombra atraída pelo reflexo dourado entre as brumas que se adensam. Luz. A figura entra no círculo iluminado pelas chamas e é envolvida no seu quente abraço, juntando-se aos que esperam e sussurram … à luz da fogueira.
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Sinais de Vida - p2
Mas ao fim de algum tempo, se é que o termo faz algum sentido, e depois de um incontável desfile de imagens, algo mudou. Tudo começou com uma já familiar sensação de vertigem que por vezes parecia envolver o mundo num véu de bruma, silenciando o infindável turbilhão de imagens e transmitindo uma sensação de calma e serenidade que era recebida e saboreada de uma maneira só possível àqueles que vivem há já demasiado tempo mergulhados no caos e na loucura. Mas desta vez as imagens não se esbateram. Pelo contrário, tornaram-se mais nítidas do que nunca, e pela primeira vez Pedro teve verdadeiramente consciência de si mesmo. Um breve momento de lucidez, mas que bastou para compreender enfim que as imagens eram na realidade memórias, as suas próprias memórias.
E se na verdade possuía, como parecia, memórias de uma outra realidade que não esta em que se encontrava, então ele próprio deveria pertencer a essa outra realidade, e não a este mundo vazio e negro ao qual parecia ter sido condenado. Tudo não deveria passar de um sonho … não, de um pesadelo, um longo e negro pesadelo do qual não tardaria a acordar. Acto contínuo, o turbilhão de imagens desvaneceu-se e o mundo mergulhou de novo na escuridão.
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Sinais de Vida - p1
No início, tudo era escuridão … negra, vazia e totalmente desprovida de sentidos e razão. Começaram então a surgir, com uma frequência cada vez maior, pequenos flashes de luz que rapidamente ganharam consistência e nitidez revelando tratar-se na realidade de pequenas imagens. E se inicialmente não passariam de simples fotogramas estáticos em tons de cinzento, depressa ganhariam movimento, som, detalhe e cor, enchendo o vazio com uma louca sequência de imagens sem nexo.
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Prólogo
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O governo russo veio hoje acusar de espionagem vários diplomatas ingleses que alegadamente utilizaram como recurso essencial para o efeito ... uma pedra. Sim, leram bem, uma pedra ...
Segundo os russos, os ingleses terão inventado um aparelho de espionagem camuflado para parecer uma pedra, que assim podia ser colocado de forma insuspeita em lugares estratégicos. Depois bastaria aos espiões passar casualmente junto da "pedra" e descarregar os dados para um aparelho portátil através de um sistema sem fios, como se de uma simples transferência entre telemóveis se tratasse.
Se de facto era genial ou não deixo ao vosso critério, mas perfeita não era. Dizem os russos que um destes aparelhos terá avariado e os engenhosos espiões foram desmascarados porque um vídeo de segurança os apanhou em flagrante ao recolher a dita cuja “pedra” para ser reparada ...
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Sou quem sou e quem mais fui e serei
Sou quem em tempos sonhei e no tempo recordarei
Sou quem sou a toda a hora porque a vida não é só de vez em quando
Sou quem sou até ao dia que a morte vier por mim
E então serei o que sou enquanto me lembrarem
E serei nada quando não restar ninguém que recorde quem eu sou
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Esta noite fui ao cinema ver o filme “Residência Espanhola”. Já não é um filme propriamente recente, mas para quem nunca o viu, trata-se da história de um jovem francês chamado Xavier que decide fazer Erasmus em Barcelona durante um ano e fica a partilhar um apartamento com mais meia dúzia de jovens na mesma situação.
Não vou aqui dizer que é um grande filme, porque não é. Mas é um grande filme para quem vai ou já foi em Erasmus. Enredo à parte, a maneira como os sentimentos e as experiências vividas pelas personagens são retratados é assustadoramente fiel à realidade, sobretudo na parte final que é o regresso a casa. E eu digo-o com conhecimento de causa.
E é por isso que o filme teve um impacto tão grande em mim. Não foi o Xavier que eu vi a passar por toda uma série de peripécias; de alguma maneira, de muitas maneiras, foi a mim próprio a viver as experiências por que passei em Copenhaga. E esse facto torna este filme especial para mim, independentemente de tudo o resto.
"Como voltar atrás quando no fundo do nosso coração sabemos que não há regresso?"
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8:30 p.m.
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Já vos falei aqui um pouco da terra do meu pai. Pois bem, há coisa de três semanas foi atingida por um grande incêndio. Não houve vítimas, nenhuma casa ardeu, mas a área afectada foi muito grande. Evitei durante algum tempo lá ir e tentei não pensar nisso, mas por fim fui ver pelos meus próprios olhos os danos.
O coração caiu-me aos pés. Quis chorar. Quis gritar. Mas não consegui. Limitei-me a contemplar em silêncio aquele quadro dantesco, esmagado pela sensação de impotência que tomou conta de mim. Senti que parte de mim ardera também.
Um dia aquelas matas vão-se regenerar e voltar a ser verdes de novo, mas para mim nunca mais será o mesmo porque não mais me trarão memórias do que lá vivi. Suponho que tenha de aceitar isso ...
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