sexta-feira, 9 de junho de 2006

1 Ano "À Luz da Fogueira"

Pois é, faz hoje exactamente um ano que criei o blog. Confesso que nem tudo correu como esperava, sobretudo no que diz respeito à regularidade dos posts, que confesso que fossem muito mais por esta altura. Mas diverti-me e continuo a divertir-me a escrever para o blog, embora não tenha claramente dispendido muito tempo a fazê-lo. Tenciono corrigir isso no futuro. Obrigado pela paciência. :)

Update 1: Para saber quem é a grande responsável pela longa ausência de posts ver aqui. (2006-12-20)

Update 2: Mudei o blog para a nova versão do Blogger. Se tudo correr como previsto, mais novidades para breve. (2007-03-05)

quarta-feira, 31 de maio de 2006

O Outro Lado do Abismo - Capítulo 1, Parte 2

Sinais de Vida - p2

Mas ao fim de algum tempo, se é que o termo faz algum sentido, e depois de um incontável desfile de imagens, algo mudou. Tudo começou com uma já familiar sensação de vertigem que por vezes parecia envolver o mundo num véu de bruma, silenciando o infindável turbilhão de imagens e transmitindo uma sensação de calma e serenidade que era recebida e saboreada de uma maneira só possível àqueles que vivem há já demasiado tempo mergulhados no caos e na loucura. Mas desta vez as imagens não se esbateram. Pelo contrário, tornaram-se mais nítidas do que nunca, e pela primeira vez Pedro teve verdadeiramente consciência de si mesmo. Um breve momento de lucidez, mas que bastou para compreender enfim que as imagens eram na realidade memórias, as suas próprias memórias.

E se na verdade possuía, como parecia, memórias de uma outra realidade que não esta em que se encontrava, então ele próprio deveria pertencer a essa outra realidade, e não a este mundo vazio e negro ao qual parecia ter sido condenado. Tudo não deveria passar de um sonho … não, de um pesadelo, um longo e negro pesadelo do qual não tardaria a acordar. Acto contínuo, o turbilhão de imagens desvaneceu-se e o mundo mergulhou de novo na escuridão.

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quarta-feira, 24 de maio de 2006

O Outro Lado do Abismo - Capítulo 1, Parte 1

Sinais de Vida - p1

No início, tudo era escuridão … negra, vazia e totalmente desprovida de sentidos e razão. Começaram então a surgir, com uma frequência cada vez maior, pequenos flashes de luz que rapidamente ganharam consistência e nitidez revelando tratar-se na realidade de pequenas imagens. E se inicialmente não passariam de simples fotogramas estáticos em tons de cinzento, depressa ganhariam movimento, som, detalhe e cor, enchendo o vazio com uma louca sequência de imagens sem nexo.


Não tardou até que à corrente infindável de imagens e sensações se juntassem outras, mais subtis mas ao mesmo tempo mais vívidas e persistentes, que pareciam surgir inesperadamente e misturar-se com as restantes, enredando-as e alterando-as. Era como se proviessem de origens completamente diferentes e lutassem entre si pelo protagonismo, conseguindo apenas anular-se e deturpar-se mutuamente, de maneira que qualquer sentido que pudesse existir em cada uma era irremediavelmente perdido, restando apenas uma amálgama de elementos independentes, caótica e indecifrável.
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segunda-feira, 15 de maio de 2006

O Outro Lado do Abismo - Prólogo

Prólogo

Pedro nunca foi muito aberto ao mundo em seu redor. Desde muito jovem que se revelava mais à vontade precisamente quando estava sozinho e nunca demonstrou grande interesse na sociedade à sua volta. Nunca formou laços emocionais ou sentimentais e na verdade as pessoas em seu redor pareciam ter tanta vontade em evitá-lo quanto ele em evitá-las. E assim cresceu em corpo e mente mas não em espírito, sempre manietado naquilo que o torna verdadeiramente humano, a convivência com os outros.

Os anos passaram e enfim a necessidade que todo o ser humano tem de se relacionar e ligar ao mundo à sua volta fez-se sentir no seu espírito. Desejava ardentemente as experiências que vêm com a amizade e com o amor, mas não sabia como se aproximar nem como se comportar juntos dos outros. Na adolescência, uma fase da vida em que a afirmação pessoal é tão importante, ele não conseguiu impor-se e viu-se novamente sozinho e desligado do mundo que o rodeava, desta vez não por vontade própria. E percebeu enfim o significado da palavra solidão.

Com a entrada no mundo universitário abriu-se diante dele um novo mundo de possibilidades, uma oportunidade para começar do zero. E de tudo quanto procurava encontrar, aquilo que mais desejava era o amor; encontrou-o numa rapariga chamada Suzana que se tornou sua na melhor amiga, companheira, confidente ... e amante? Não; por muito que ele a amasse as suas limitações relacionais falaram mais alto e escolheu colocá-la num pedestal e venerá-la ao invés de amá-la como ela queria e merecia. E Suzana, como livre espírito que era, foi vencida pela vontade de viver novas aventuras e trocou-o por outro. Pedro sentiu no seu coração o que era a traição e o vazio que fica dentro de nós e pela primeira vez chorou por alguém.

Foi assim que aquele que Pedro considerava ser o seu único elo de ligação ao mundo foi quebrado, e não tardou muito para que a sua reputação de reservado e pouco sociável se degradar rapidamente para solitário e anti-social. Na verdade, longe de se isolar no seu mundo, passava cada vez mais tempo na companhia de outros; outros que não eram os seus colegas de faculdade, nem os seus poucos amigos, nem a sua família, nem ninguém que realmente se importasse com ele. Pedro caminhava em direcção ao abismo e dificilmente teria acreditado se lho tivessem dito; mas ninguém lho disse e ele também não se apercebeu até ser já tarde demais …

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Que Grande Pedra

O governo russo veio hoje acusar de espionagem vários diplomatas ingleses que alegadamente utilizaram como recurso essencial para o efeito ... uma pedra. Sim, leram bem, uma pedra ...

Segundo os russos, os ingleses terão inventado um aparelho de espionagem camuflado para parecer uma pedra, que assim podia ser colocado de forma insuspeita em lugares estratégicos. Depois bastaria aos espiões passar casualmente junto da "pedra" e descarregar os dados para um aparelho portátil através de um sistema sem fios, como se de uma simples transferência entre telemóveis se tratasse.

Na minha opinião é uma ideia tão engenhosa e descarada que parece tirada de um filme do James Bond, mas a verdade é que revela uma simplicidade quase infantil característica das ideias geniais.

Se de facto era genial ou não deixo ao vosso critério, mas perfeita não era. Dizem os russos que um destes aparelhos terá avariado e os engenhosos espiões foram desmascarados porque um vídeo de segurança os apanhou em flagrante ao recolher a dita cuja “pedra” para ser reparada ...

sábado, 3 de dezembro de 2005

Quem Sou Eu?

Sou quem sou e quem mais fui e serei
Sou quem em tempos sonhei e no tempo recordarei
Sou quem sou a toda a hora porque a vida não é só de vez em quando
Sou quem sou até ao dia que a morte vier por mim

E então serei o que sou enquanto me lembrarem
E serei nada quando não restar ninguém que recorde quem eu sou

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Residência Espanhola

Esta noite fui ao cinema ver o filme “Residência Espanhola”. Já não é um filme propriamente recente, mas para quem nunca o viu, trata-se da história de um jovem francês chamado Xavier que decide fazer Erasmus em Barcelona durante um ano e fica a partilhar um apartamento com mais meia dúzia de jovens na mesma situação.

Não vou aqui dizer que é um grande filme, porque não é. Mas é um grande filme para quem vai ou já foi em Erasmus. Enredo à parte, a maneira como os sentimentos e as experiências vividas pelas personagens são retratados é assustadoramente fiel à realidade, sobretudo na parte final que é o regresso a casa. E eu digo-o com conhecimento de causa.

E é por isso que o filme teve um impacto tão grande em mim. Não foi o Xavier que eu vi a passar por toda uma série de peripécias; de alguma maneira, de muitas maneiras, foi a mim próprio a viver as experiências por que passei em Copenhaga. E esse facto torna este filme especial para mim, independentemente de tudo o resto.

"Como voltar atrás quando no fundo do nosso coração sabemos que não há regresso?"

sábado, 17 de setembro de 2005

Versão 1.2

Bem, o que começou como uma pequena operação estética ao blog acabou por se transformar numa revisão geral. Reorganizei o espaço e introduzi uma nova barra lateral para acomodar elementos novos (e outros não tanto). Das novidades destaco o serviço de horóscopo diário que introduzi (basta clicar nos icones dos signos para ver as previsões do dia).

Esta nova versão está bem mais próxima da minha visão original mas há ainda outros serviços que tenho em mente acrescentar. Aliás, conto com as vossas opiniões e ideias para melhorias, não só para o blog mas também para o portfolio. Espero que gostem :)

sábado, 27 de agosto de 2005

Portfolio On-Line

Para além da escrita também a fotografia é um dos meus hobbies. Não tenho equipamento sofisticado nem muitas noções e conceitos para me apoiar mas gosto do que faço.

Já há algum tempo que mantenho um portfolio on-line mas agora, com as fotografias das minhas férias em Barcelona, dediquei-me à sua reoganização e actualização e decidi deixar aqui o endereço para quem tiver curiosidade. Espero que gostem.

http://www.flickr.com/photos/sdsm/

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Cinzas e Fumo

Já vos falei aqui um pouco da terra do meu pai. Pois bem, há coisa de três semanas foi atingida por um grande incêndio. Não houve vítimas, nenhuma casa ardeu, mas a área afectada foi muito grande. Evitei durante algum tempo lá ir e tentei não pensar nisso, mas por fim fui ver pelos meus próprios olhos os danos.

Logo pela manhã dirigi-me ao vale mais próximo, que conhecia como se fosse a palma da minha mão, com esperança de que não tivesse sido tão mau como havia ouvido. Mas era. Logo à saída da aldeia tive dificuldade em reconhecer os caminhos que tantas vezes percorrera desde pequeno. Aqui e ali, pequenas zonas de um verde mortiço ainda espreitavam; tudo o mais estava chamuscado, queimado, partido, ... irreconhecível.

Comecei a sentir um aperto no peito mas decidi seguir em frente, tentando ignorar o cheiro acre a queimado que me começava a afectar os olhos e a garganta. Poucos minutos depois, do cimo de uma colina próxima, vinha a confirmaçãos da catástrofe. Diante de mim estava no centro da área ardida; chão coberto de cinza; pedras calcinadas espreitando aqui e ali; troncos queimados formando uma floresta de palitos negros até onda a vista alcançava; nenhum som para além do uivo do vento.

O coração caiu-me aos pés. Quis chorar. Quis gritar. Mas não consegui. Limitei-me a contemplar em silêncio aquele quadro dantesco, esmagado pela sensação de impotência que tomou conta de mim. Senti que parte de mim ardera também.

Um dia aquelas matas vão-se regenerar e voltar a ser verdes de novo, mas para mim nunca mais será o mesmo porque não mais me trarão memórias do que lá vivi. Suponho que tenha de aceitar isso ...

... por muito que me custe.