sábado, 17 de setembro de 2005

Versão 1.2

Bem, o que começou como uma pequena operação estética ao blog acabou por se transformar numa revisão geral. Reorganizei o espaço e introduzi uma nova barra lateral para acomodar elementos novos (e outros não tanto). Das novidades destaco o serviço de horóscopo diário que introduzi (basta clicar nos icones dos signos para ver as previsões do dia).

Esta nova versão está bem mais próxima da minha visão original mas há ainda outros serviços que tenho em mente acrescentar. Aliás, conto com as vossas opiniões e ideias para melhorias, não só para o blog mas também para o portfolio. Espero que gostem :)

sábado, 27 de agosto de 2005

Portfolio On-Line

Para além da escrita também a fotografia é um dos meus hobbies. Não tenho equipamento sofisticado nem muitas noções e conceitos para me apoiar mas gosto do que faço.

Já há algum tempo que mantenho um portfolio on-line mas agora, com as fotografias das minhas férias em Barcelona, dediquei-me à sua reoganização e actualização e decidi deixar aqui o endereço para quem tiver curiosidade. Espero que gostem.

http://www.flickr.com/photos/sdsm/

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Cinzas e Fumo

Já vos falei aqui um pouco da terra do meu pai. Pois bem, há coisa de três semanas foi atingida por um grande incêndio. Não houve vítimas, nenhuma casa ardeu, mas a área afectada foi muito grande. Evitei durante algum tempo lá ir e tentei não pensar nisso, mas por fim fui ver pelos meus próprios olhos os danos.

Logo pela manhã dirigi-me ao vale mais próximo, que conhecia como se fosse a palma da minha mão, com esperança de que não tivesse sido tão mau como havia ouvido. Mas era. Logo à saída da aldeia tive dificuldade em reconhecer os caminhos que tantas vezes percorrera desde pequeno. Aqui e ali, pequenas zonas de um verde mortiço ainda espreitavam; tudo o mais estava chamuscado, queimado, partido, ... irreconhecível.

Comecei a sentir um aperto no peito mas decidi seguir em frente, tentando ignorar o cheiro acre a queimado que me começava a afectar os olhos e a garganta. Poucos minutos depois, do cimo de uma colina próxima, vinha a confirmaçãos da catástrofe. Diante de mim estava no centro da área ardida; chão coberto de cinza; pedras calcinadas espreitando aqui e ali; troncos queimados formando uma floresta de palitos negros até onda a vista alcançava; nenhum som para além do uivo do vento.

O coração caiu-me aos pés. Quis chorar. Quis gritar. Mas não consegui. Limitei-me a contemplar em silêncio aquele quadro dantesco, esmagado pela sensação de impotência que tomou conta de mim. Senti que parte de mim ardera também.

Um dia aquelas matas vão-se regenerar e voltar a ser verdes de novo, mas para mim nunca mais será o mesmo porque não mais me trarão memórias do que lá vivi. Suponho que tenha de aceitar isso ...

... por muito que me custe.

sábado, 6 de agosto de 2005

Lembrar Hiroshima

Na manhã de 6 de Agosto de 1945, os habitantes de Hiroshima dirigiam-se para o trabalho quando pelas 7:31 foi desencadeado o sinal de ataque aéreo. Cansados da guerra e já habituados os bombardeamentos constantes levados a cabo pelas forças norte-americanas, poucos correram a refugiar-se nos abrigos. Pelas 7:53 soou o sinal de fim de ataque aéreo sem que nenhum ataque se tivesse dado e muitos respiraram de alívio, ignorando que muito acima deles o pequeno avião de reconhecimento que despoletara o alarme havia emitido a mensagem que os condenara à morte.

Quando o sinal de ataque aéreo voltou a soar, era já muito tarde. Às 8:15 da manhã, a cerca de 10km de altitude, a “Little Boy” abandonou o porão do bombardeiro “Enola Gay”. 51 Segundos depois, a 244 metros do solo, um segundo sol brilhou no céu e o mundo mudou para sempre.

A explosão provocou um clarão 12 vezes mais forte que a luz do sol e atingiu os 5,5 milhões de graus centígrados na parte central da cidade. A nuvem de escombros em forma de cogumelo gerada pela explosão foi visível num raio de 550km. Uma chuva preta, oleosa e pesada, contaminada pelo urânio, caiu sobre a cidade contaminando o solo, o rio, os sobreviventes... as equipas médicas que chegavam ao que restava da cidade nada podiam fazer: apenas tinham mercurocromo para tratar queimaduras terríveis. Estima-se que 80 mil pessoas tenham morrido instantaneamente, e que mais 140 mil tenham sucumbido nos dias seguintes.

3 Dias mais tarde era Kokura que estava condenada a sofrer igual sorte às mãos de uma bomba ainda mais poderosa, mas as condições atmosféricas não permitiram o lançamento e foi Nagasaki, o alvo alternativo, que foi atingida. Quis o destino que desta vez o lançamento não corresse como previsto e a bomba desviou-se do alvo, estatelando-se numa montanha; a cidade foi resguardada pelo terreno montanhoso e a explosão causou menos mortos do que a de Hiroshima. O lançamento da bomba sobre Nagasaki apenas foi conhecido três dias depois: os norte-americanos tentaram ocultar este segundo ataque.

Nunca se saberá ao certo quantas pessoas morreram devido à combinação das explosões, incêndios, calor e radiação libertada, e ainda hoje muitos milhares de pessoas continuam a sofrer os efeitos da contaminação radioactiva. Albert Einstein e Julius Robert Oppenheimer, dois dos mais brilhantes cientistas ligados à criação da bomba, viriam a penitenciar-se até ao fim das suas vidas pela sua participação no projecto.

Sessenta anos depois, é irónico constatar que a arma mais devastadora alguma vez criada pelo homem foi responsável pelo maior período de relativa paz mundial na história. Talvez isso não seja surpreendente. O mundo percebeu que a próxima grande guerra será com certeza a última. É por isso que a memória de Hiroshima e Nagasaki não pode ser esquecida; porque no dia em que isso acontecer teremos condenado toda a humanidade.

I am become death, the destroyer of worlds.”
(Julius Robert Oppenheimer)

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

O Fim da Versão Inglesa

Com muita pena minha, a partir de hoje a versão inglesa do blog deixa de estar disponível.

O Motivo? O óbvio. Não vale a pena se ninguém ler ... e ninguém lê.

Portanto vou deixar de traduzir os textos. Prefiro ter mais um bocadinho de tempo para manter este.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Uma Águia na Lua

Há precisamente 36 anos atrás, os olhos do mundo estavam colados aos televisores assistindo ainda incrédulos a um dos maiores feitos na história da história; tantos e tantos milhares de quilómetros de distância, uma pequena nave de aspecto estranho e frágil de nome "Eagle" (Águia) aterrava na superfície da Lua.

Poucas horas depois o mundo parou em deslumbramento enquanto um aparentemente desastrado e pesado astronauta de nome Neil Armstrong descia uma pequena escada e se tornava no primeiro homem a pisar a superfície da Lua. Um pequeno passo que ficou gravado na história assim como as pegadas o ficaram no solo lunar.

"That's one small step for a man, one giant leap for mankind."
Neil Armstrong

segunda-feira, 11 de julho de 2005

O Fracasso da Guerra ao Terrorismo

Ainda hoje em Londres se procuram entre os destroços os corpos de mais de 20 pessoas, desaparecidas após os atentados no Metro de Londres na passada Quinta-feira. Sinceramente, as imagens sangrentas não me impressionaram tanto como seria de esperar. Como poderiam quando todos os dias correm mundo tantas e tantas imagens de violência e terror? É triste que se tenha vindo a tornar um hábito.

Há precisamente 46 meses atrás, ao princípio da tarde, as torres gémeas do World Trade Center em New York ruíam e o Pentágono ardia descontroladamente. A imagem das pessoas saltando para a morte dos andares mais altos para fugir às chamas é algo que nunca esquecerei. Também há precisamente 16 meses atrás, Madrid foi palco de outro atentado sangrento, dessa vez resultante do rebentamento de bombas colocadas em vários comboios de passageiros. Agora foi a vez de Londres ser manchada de sangue. Pelo meio ficam tantos e tantos ataques pelo mundo, sobretudo no Médio Oriente.

A resposta do mundo ocidental (desculpem-me, dos Norte-Americanos e dos Ingleses) foi a invasão do Afeganistão e do Iraque com o pretexto de uma “Guerra ao Terrorismo”. E digo pretexto porque foi um pretexto (no caso do Iraque pelo menos) para encobrir outros interesses, nomeadamente os das empresas de armamento e do petróleo.

Pois bem, deixem-me dizer o seguinte: a Guerra ao Terrorismo falhou. E falhou porque estava condenada a falhar desde o início. Não se pode combater o terrorismo recorrendo às políticas que o geraram nem utilizando-o como pretexto para levar a cabo agendas secretas. A escalada do imperialismo económico e bélico a que temos assistido não enfraqueceu o terrorismo, pelo contrário alimentou-o, e foi precisamente esta linha de pensamento e de acção que “criou” Osama Bin Laden e continua a criar gerações de terroristas.

A despeito do ataque às torres gémeas, sinto-me menos seguro hoje do que há quatro anos atrás, porque acredito que há cada vez mais pessoas dispostas a juntar-se aos grupos terroristas do que nunca. Entre os “expansionistas” americanos, os “intransigentes” israelitas, os “fanáticos” muçulmanos e os “megalómanos” Coreanos, não sei quem vai ganhar alguma coisa com tudo isto. O mais provável é perdermos todos ... por causa de alguns.

domingo, 10 de julho de 2005

A Geração "Rasca"

Já há algum tempo que não escrevia nada. Lamento mas não foi possível por motivos pessoais. Aliás, não será hoje que irei corrigir isso. Hoje tenho mais um texto que não é meu mas que me pareceu interessante.

"Olhando para trás, é difícil acreditar que estejamos vivos.

Nós viajávamos
em carros sem cintos de segurança ou air bag. Não tivemos nenhuma tampa à prova de crianças em frascos de remédios, portas, ou armários e andávamos de bicicleta sem capacete, sem contar que pedíamos boleia. Bebíamos água directamente da mangueira e não da garrafa. Gastámos horas a construir os nossos carrinhos de rolamentos para descer ladeira abaixo e só então descobríamos que nos tínhamos esquecido dos travões. Depois de colidir com algumas árvores, aprendemos a resolver o problema.

Saíamos de casa de manhã, brincávamos o dia inteiro, e só voltávamos quando se acendiam as luzes da rua. Ninguém nos podia localizar. Não havia telemóveis. Nós partimos ossos e dentes, e não havia nenhuma lei para punir os culpados. Eram acidentes. Ninguém para culpar, só a nós próprios. Tivemos brigas e esmurramos uns aos outros e aprendemos a superar isto. Comemos doces e bebemos refrigerantes mas não éramos obesos. Estávamos sempre ao ar livre, a correr e a brincar. Partilhámos garrafas de refrigerante e ninguém morreu por causa disso.

Não tivemos Playstations, Nintendo 64, vídeo games, 99 canais a cabo, filmes em vídeo, surround sound, telemóveis, computadores ou Internet. Nós tivemos amigos. Nós saíamos e íamos ter com eles. Íamos de bicicleta ou a pé até casa deles e batíamos à porta. Imaginem tal coisa! Sem pedir autorização aos pais, por nós mesmos! Lá fora, no mundo cruel! Sem nenhum responsável! Como conseguimos fazer isto?

Fizemos jogos com pedras, paus, bastões e bolas de ténis e comemos minhocas e, embora nos tenham dito que aconteceria, nunca nos caíram os olhos ou as minhocas ficaram vivas na nossa barriga para sempre. Nos jogos da escola, nem toda a gente fazia parte da equipa. Os que não fizeram, tiveram que aprender a lidar com a decepção... Alguns estudantes não eram tão inteligentes quanto os outros. Eles repetiam o ano! Que horror! Não inventavam testes extras. Éramos responsáveis por nossas acções e arcávamos com as consequências. Não havia ninguém que pudesse resolver isso. A ideia de um pai nos protegendo, se desrespeitássemos alguma lei, era inadmissível! Eles protegiam as leis! Imaginem!

A nossa geração produziu alguns dos melhores compradores de risco, criadores de soluções e inventores. Os últimos 50 anos foram uma explosão de inovações e novas ideias. Tivemos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade, e aprendemos a lidar com isso. Tu és um deles. Parabéns!"
Autor Desconhecido

sábado, 2 de julho de 2005

O Deficit Público e Outras Trapalhadas

Foi encontrado um erro no famoso “Relatório Constâncio”, sobre o deficit público português para 2005. Esta foi a grande notícia em Portugal ontem. Confesso que a minha primeira reacção foi de curiosidade e até um pouco esperança quando ouvi a notícia. Talvez as coisas não estivessem tão más. Talvez.

Entre as declarações de indignação da oposição e a excitação dos jornalistas e comentadores parecia que o caso era sério. Depois vieram os números. O erro aumentava o deficit em 151,4 milhões de euros. Afinal o deficit não é de 6,83%, mas sim de 6,72%. Não são trocos. Um erro destes é inadmissível. Mas face à situação do país é irrelevante e anedótico. Vi políticos e comentadores em delírio com uma diferença de 0,11% quando o deficit é mais do dobro do máximo permitido pelo PEC. Mais do dobro!

Eu sei que é a atitude mais “politicamente correcta”, porque é mais fácil desviar a atenção dos verdadeiros problemas e arranjar bodes expiatórios para as trapalhadas do costume do que explicar aos portugueses a verdadeira gravidade dos problemas com que nos deparamos e as suas consequências.

Resta-nos a consolação de que o deficit é ligeiramente mais baixo do que se pensava. Não que isso faça muita diferença ...

domingo, 26 de junho de 2005

O Dia em Que o Mar Foi Morte

Há precisamente seis meses atrás, do outro lado do mundo, milhões de pessoas foram acordadas por um forte abalo. No espaço de duas horas, o impensável aconteceu. Enquanto muitos habitantes locais examinavam os danos e os turistas se preparavam para mais um dia de sol e praia, o mar recuou de súbito ... e uma onda gigante abateu-se sobre terra, arrastando tudo e todos no seu caminho.

As imagens correram mundo, e dia após dia observámos incrédulos o desenrolar da catástrofe. Chocados, ouvimos as histórias de terror e tragédia que a cada dia chegavam, e pouco a pouco apercebemo-nos da dimensão do que acontecera. O relato de uma criança, única sobrevivente da escola que frequentava; oito mulheres reclamando um bebé num hospital, incapazes de acreditar na morte dos seus filhos; pescadores que sobreviveram no mar apenas para descobrir que haviam perdido as suas famílias.

E no entanto, apesar de toda a morte e destruição, no meio do que muitas vezes parece a desolação total, assistimos a pequenos milagres de vida. Sobreviventes são miraculosamente encontrados dias e semanas após a catástrofe; uma criança salvou dezenas de pessoas numa praia da Tailândia graças ao que aprendera nas aulas sobre maremotos; outra reencontra o pai depois de uma semana nas montanhas com os desconhecidos que o encontraram perdido após ter sido arrastado pelo mar juntamente com a mãe.

Hoje, as pessoas fazem o que podem para reconstruir as suas vidas, e na sua maioria fazem-no exactamente no mesmo local onde sempre viveram, junto ao mar que tanto lhes deu e que tanto lhes tirou. Nesse dia o mar foi morte, mas hoje descansa tão tranquilamente como sempre ... até à próxima vez.

Em memória das mais de 250.000 pessoas mortas pelo maremoto que atingiu o Sudeste Asiático no dia 26 de Dezembro de 2004.