quarta-feira, 24 de maio de 2006

O Outro Lado do Abismo - Capítulo 1, Parte 1

Sinais de Vida - p1

No início, tudo era escuridão … negra, vazia e totalmente desprovida de sentidos e razão. Começaram então a surgir, com uma frequência cada vez maior, pequenos flashes de luz que rapidamente ganharam consistência e nitidez revelando tratar-se na realidade de pequenas imagens. E se inicialmente não passariam de simples fotogramas estáticos em tons de cinzento, depressa ganhariam movimento, som, detalhe e cor, enchendo o vazio com uma louca sequência de imagens sem nexo.


Não tardou até que à corrente infindável de imagens e sensações se juntassem outras, mais subtis mas ao mesmo tempo mais vívidas e persistentes, que pareciam surgir inesperadamente e misturar-se com as restantes, enredando-as e alterando-as. Era como se proviessem de origens completamente diferentes e lutassem entre si pelo protagonismo, conseguindo apenas anular-se e deturpar-se mutuamente, de maneira que qualquer sentido que pudesse existir em cada uma era irremediavelmente perdido, restando apenas uma amálgama de elementos independentes, caótica e indecifrável.
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segunda-feira, 15 de maio de 2006

O Outro Lado do Abismo - Prólogo

Prólogo

Pedro nunca foi muito aberto ao mundo em seu redor. Desde muito jovem que se revelava mais à vontade precisamente quando estava sozinho e nunca demonstrou grande interesse na sociedade à sua volta. Nunca formou laços emocionais ou sentimentais e na verdade as pessoas em seu redor pareciam ter tanta vontade em evitá-lo quanto ele em evitá-las. E assim cresceu em corpo e mente mas não em espírito, sempre manietado naquilo que o torna verdadeiramente humano, a convivência com os outros.

Os anos passaram e enfim a necessidade que todo o ser humano tem de se relacionar e ligar ao mundo à sua volta fez-se sentir no seu espírito. Desejava ardentemente as experiências que vêm com a amizade e com o amor, mas não sabia como se aproximar nem como se comportar juntos dos outros. Na adolescência, uma fase da vida em que a afirmação pessoal é tão importante, ele não conseguiu impor-se e viu-se novamente sozinho e desligado do mundo que o rodeava, desta vez não por vontade própria. E percebeu enfim o significado da palavra solidão.

Com a entrada no mundo universitário abriu-se diante dele um novo mundo de possibilidades, uma oportunidade para começar do zero. E de tudo quanto procurava encontrar, aquilo que mais desejava era o amor; encontrou-o numa rapariga chamada Suzana que se tornou sua na melhor amiga, companheira, confidente ... e amante? Não; por muito que ele a amasse as suas limitações relacionais falaram mais alto e escolheu colocá-la num pedestal e venerá-la ao invés de amá-la como ela queria e merecia. E Suzana, como livre espírito que era, foi vencida pela vontade de viver novas aventuras e trocou-o por outro. Pedro sentiu no seu coração o que era a traição e o vazio que fica dentro de nós e pela primeira vez chorou por alguém.

Foi assim que aquele que Pedro considerava ser o seu único elo de ligação ao mundo foi quebrado, e não tardou muito para que a sua reputação de reservado e pouco sociável se degradar rapidamente para solitário e anti-social. Na verdade, longe de se isolar no seu mundo, passava cada vez mais tempo na companhia de outros; outros que não eram os seus colegas de faculdade, nem os seus poucos amigos, nem a sua família, nem ninguém que realmente se importasse com ele. Pedro caminhava em direcção ao abismo e dificilmente teria acreditado se lho tivessem dito; mas ninguém lho disse e ele também não se apercebeu até ser já tarde demais …

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2006

Que Grande Pedra

O governo russo veio hoje acusar de espionagem vários diplomatas ingleses que alegadamente utilizaram como recurso essencial para o efeito ... uma pedra. Sim, leram bem, uma pedra ...

Segundo os russos, os ingleses terão inventado um aparelho de espionagem camuflado para parecer uma pedra, que assim podia ser colocado de forma insuspeita em lugares estratégicos. Depois bastaria aos espiões passar casualmente junto da "pedra" e descarregar os dados para um aparelho portátil através de um sistema sem fios, como se de uma simples transferência entre telemóveis se tratasse.

Na minha opinião é uma ideia tão engenhosa e descarada que parece tirada de um filme do James Bond, mas a verdade é que revela uma simplicidade quase infantil característica das ideias geniais.

Se de facto era genial ou não deixo ao vosso critério, mas perfeita não era. Dizem os russos que um destes aparelhos terá avariado e os engenhosos espiões foram desmascarados porque um vídeo de segurança os apanhou em flagrante ao recolher a dita cuja “pedra” para ser reparada ...

sábado, 3 de dezembro de 2005

Quem Sou Eu?

Sou quem sou e quem mais fui e serei
Sou quem em tempos sonhei e no tempo recordarei
Sou quem sou a toda a hora porque a vida não é só de vez em quando
Sou quem sou até ao dia que a morte vier por mim

E então serei o que sou enquanto me lembrarem
E serei nada quando não restar ninguém que recorde quem eu sou

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Residência Espanhola

Esta noite fui ao cinema ver o filme “Residência Espanhola”. Já não é um filme propriamente recente, mas para quem nunca o viu, trata-se da história de um jovem francês chamado Xavier que decide fazer Erasmus em Barcelona durante um ano e fica a partilhar um apartamento com mais meia dúzia de jovens na mesma situação.

Não vou aqui dizer que é um grande filme, porque não é. Mas é um grande filme para quem vai ou já foi em Erasmus. Enredo à parte, a maneira como os sentimentos e as experiências vividas pelas personagens são retratados é assustadoramente fiel à realidade, sobretudo na parte final que é o regresso a casa. E eu digo-o com conhecimento de causa.

E é por isso que o filme teve um impacto tão grande em mim. Não foi o Xavier que eu vi a passar por toda uma série de peripécias; de alguma maneira, de muitas maneiras, foi a mim próprio a viver as experiências por que passei em Copenhaga. E esse facto torna este filme especial para mim, independentemente de tudo o resto.

"Como voltar atrás quando no fundo do nosso coração sabemos que não há regresso?"

sábado, 17 de setembro de 2005

Versão 1.2

Bem, o que começou como uma pequena operação estética ao blog acabou por se transformar numa revisão geral. Reorganizei o espaço e introduzi uma nova barra lateral para acomodar elementos novos (e outros não tanto). Das novidades destaco o serviço de horóscopo diário que introduzi (basta clicar nos icones dos signos para ver as previsões do dia).

Esta nova versão está bem mais próxima da minha visão original mas há ainda outros serviços que tenho em mente acrescentar. Aliás, conto com as vossas opiniões e ideias para melhorias, não só para o blog mas também para o portfolio. Espero que gostem :)

sábado, 27 de agosto de 2005

Portfolio On-Line

Para além da escrita também a fotografia é um dos meus hobbies. Não tenho equipamento sofisticado nem muitas noções e conceitos para me apoiar mas gosto do que faço.

Já há algum tempo que mantenho um portfolio on-line mas agora, com as fotografias das minhas férias em Barcelona, dediquei-me à sua reoganização e actualização e decidi deixar aqui o endereço para quem tiver curiosidade. Espero que gostem.

http://www.flickr.com/photos/sdsm/

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Cinzas e Fumo

Já vos falei aqui um pouco da terra do meu pai. Pois bem, há coisa de três semanas foi atingida por um grande incêndio. Não houve vítimas, nenhuma casa ardeu, mas a área afectada foi muito grande. Evitei durante algum tempo lá ir e tentei não pensar nisso, mas por fim fui ver pelos meus próprios olhos os danos.

Logo pela manhã dirigi-me ao vale mais próximo, que conhecia como se fosse a palma da minha mão, com esperança de que não tivesse sido tão mau como havia ouvido. Mas era. Logo à saída da aldeia tive dificuldade em reconhecer os caminhos que tantas vezes percorrera desde pequeno. Aqui e ali, pequenas zonas de um verde mortiço ainda espreitavam; tudo o mais estava chamuscado, queimado, partido, ... irreconhecível.

Comecei a sentir um aperto no peito mas decidi seguir em frente, tentando ignorar o cheiro acre a queimado que me começava a afectar os olhos e a garganta. Poucos minutos depois, do cimo de uma colina próxima, vinha a confirmaçãos da catástrofe. Diante de mim estava no centro da área ardida; chão coberto de cinza; pedras calcinadas espreitando aqui e ali; troncos queimados formando uma floresta de palitos negros até onda a vista alcançava; nenhum som para além do uivo do vento.

O coração caiu-me aos pés. Quis chorar. Quis gritar. Mas não consegui. Limitei-me a contemplar em silêncio aquele quadro dantesco, esmagado pela sensação de impotência que tomou conta de mim. Senti que parte de mim ardera também.

Um dia aquelas matas vão-se regenerar e voltar a ser verdes de novo, mas para mim nunca mais será o mesmo porque não mais me trarão memórias do que lá vivi. Suponho que tenha de aceitar isso ...

... por muito que me custe.

sábado, 6 de agosto de 2005

Lembrar Hiroshima

Na manhã de 6 de Agosto de 1945, os habitantes de Hiroshima dirigiam-se para o trabalho quando pelas 7:31 foi desencadeado o sinal de ataque aéreo. Cansados da guerra e já habituados os bombardeamentos constantes levados a cabo pelas forças norte-americanas, poucos correram a refugiar-se nos abrigos. Pelas 7:53 soou o sinal de fim de ataque aéreo sem que nenhum ataque se tivesse dado e muitos respiraram de alívio, ignorando que muito acima deles o pequeno avião de reconhecimento que despoletara o alarme havia emitido a mensagem que os condenara à morte.

Quando o sinal de ataque aéreo voltou a soar, era já muito tarde. Às 8:15 da manhã, a cerca de 10km de altitude, a “Little Boy” abandonou o porão do bombardeiro “Enola Gay”. 51 Segundos depois, a 244 metros do solo, um segundo sol brilhou no céu e o mundo mudou para sempre.

A explosão provocou um clarão 12 vezes mais forte que a luz do sol e atingiu os 5,5 milhões de graus centígrados na parte central da cidade. A nuvem de escombros em forma de cogumelo gerada pela explosão foi visível num raio de 550km. Uma chuva preta, oleosa e pesada, contaminada pelo urânio, caiu sobre a cidade contaminando o solo, o rio, os sobreviventes... as equipas médicas que chegavam ao que restava da cidade nada podiam fazer: apenas tinham mercurocromo para tratar queimaduras terríveis. Estima-se que 80 mil pessoas tenham morrido instantaneamente, e que mais 140 mil tenham sucumbido nos dias seguintes.

3 Dias mais tarde era Kokura que estava condenada a sofrer igual sorte às mãos de uma bomba ainda mais poderosa, mas as condições atmosféricas não permitiram o lançamento e foi Nagasaki, o alvo alternativo, que foi atingida. Quis o destino que desta vez o lançamento não corresse como previsto e a bomba desviou-se do alvo, estatelando-se numa montanha; a cidade foi resguardada pelo terreno montanhoso e a explosão causou menos mortos do que a de Hiroshima. O lançamento da bomba sobre Nagasaki apenas foi conhecido três dias depois: os norte-americanos tentaram ocultar este segundo ataque.

Nunca se saberá ao certo quantas pessoas morreram devido à combinação das explosões, incêndios, calor e radiação libertada, e ainda hoje muitos milhares de pessoas continuam a sofrer os efeitos da contaminação radioactiva. Albert Einstein e Julius Robert Oppenheimer, dois dos mais brilhantes cientistas ligados à criação da bomba, viriam a penitenciar-se até ao fim das suas vidas pela sua participação no projecto.

Sessenta anos depois, é irónico constatar que a arma mais devastadora alguma vez criada pelo homem foi responsável pelo maior período de relativa paz mundial na história. Talvez isso não seja surpreendente. O mundo percebeu que a próxima grande guerra será com certeza a última. É por isso que a memória de Hiroshima e Nagasaki não pode ser esquecida; porque no dia em que isso acontecer teremos condenado toda a humanidade.

I am become death, the destroyer of worlds.”
(Julius Robert Oppenheimer)

sexta-feira, 5 de agosto de 2005

O Fim da Versão Inglesa

Com muita pena minha, a partir de hoje a versão inglesa do blog deixa de estar disponível.

O Motivo? O óbvio. Não vale a pena se ninguém ler ... e ninguém lê.

Portanto vou deixar de traduzir os textos. Prefiro ter mais um bocadinho de tempo para manter este.